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Ações de permacultura contribuem para despoluição do planeta |
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| Ações de permacultura contribuem para despoluição do planeta |
| 21/09/2007 - 8:59 |
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Acom/PMAC
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| INOVAÇÃO. O sanitário compostável garante a não poluição do solo. |
Enquanto milhões de pessoas vivem criticando a poluição ambiental do planeta e cruzam os braços para as ações na tentativa de reduzi-la, outros, por meio da força de vontade e de conhecimentos técnicos estão buscando alternativas para contribuir na proteção do que ainda resta.
Assim é o casal Fernando Pacheco e Iane Franco, que vivem em pleno contato com a natureza em uma pequena propriedade na zona rural de Alfredo Chaves, região serrana do Estado.
Os dois construíram o lar em meio à mata na comunidade de Ribeirão do Cristo. Com amor a natureza e técnicas de permacultura, o casal, ele engenheiro, escritor e autor do livro “O Homem-ecológico”, ela, pedagoga e educadora ambiental, são permacultores formados que objetivam expandir a cultura no Estado.
O órgão que fundaram, o EcoOca (Instituto Capixaba de Permacultura e Tecnologias Alternativas), visa utilizar os recursos disponibilizados pelo meio ambiente e devolvê-los sem agredir à natureza. Dessa mesma forma, o casal vem inventando técnicas para aproveitar de tudo. Exemplo, a água, proveniente de uma nascente é utilizada para os serviços domésticos e higiênicos, depois devolvida ao solo totalmente limpa.
O Instituto é pioneiro no Estado e oferece cursos de bioconstrução, introdução a permacultura, tecnologias intuitivas, seminários, vivências e palestras, com objetivo de mobilizar a população acerca das práticas ecologicamente corretas.
Fernando acredita que o mundo vive uma ruptura, a passagem do homem social para o homem ecológico. “Estamos vivendo outro momento. Não podemos esperar para que outras pessoas façam o que podemos fazer, temos que sair da teoria e irmos para a prática”, expõe. “Aproveitamos tudo”, garante a pedagoga. Óleo de cozinha vira sabão, cascas de frutas, adubo, assim como os dejetos humanos, aproveitados a partir do sanitário compostável, que consiste na transformação das fezes humanas em adubo, através de um processo químico natural.
Para quem pensa em abolir o banho quente com a prática da permacultura, engana-se, a água é aquecida por meio de um processo natural, o sol em contato com placas de PVC pretas tornam o banho bem tranqüilo. Já o creme dental, é um dos inúmeros itens que não entra no carrinho do supermercado da família, a higiene bucal é realizada apenas com água e folhas verdes de menta. Mas, garante os permacultores, os visitantes não precisam abolir as suas práticas diárias no instituto. “Pedimos apenas que experimentem as novas alternativas”, contam.
O lugar, além de proporcionar relaxamento pode ser um espaço para o aprendizado. Segundo o escritor, eles recebem visitas de escolas, grupos de jovens, professores e outros profissionais que, além de conhecer o projeto, aprendem algum hábito de vida não poluente. “As pessoas ficam encantadas, experimentam os novos maneiras de viver, plantam árvores, aprendem algum dos cursos que oferecemos”, disse.
No quintal também há uma cabana para as experiências eficazes do engenheiro, que com a mulher mora há três anos no local. Para eles, a opção adotada, os tornou maduros e mais saudáveis. “Hoje estamos realizados e de bem com a vida”, confessam.
O telhado do dormitório para alunos e visitantes é gramado, permitindo um ambiente acolhedor em dias quentes e frios.
Tudo é perfeitamente utilizado e reaproveitado. A citronela (planta medicinal parecida com o capim-cidreira que lembra o aroma do eucalipto) é usada como repelente e aromatizante da casa. A horta é cultivada de um jeito não tradicional, mas cuja produção garante a alimentação vegetariana do casal.
A televisão é empregada apenas para os cursos. “Abolimos a TV, não queremos saber o que não achamos necessário para a sobrevivência humana”, dispara a educadora.
Eles, que apenas tem o órgão como renda, não estão satisfeitos, querem capitar recursos para aquisição de equipamentos na tentativa de ser auto-suficientes em energia e adquirir máquinas para produzirem tijolos de barro cru, e ainda oferecer aulas com mais metodologias práticas aos alunos e visitantes.
O EcoOca é um dos nove órgãos do gênero no Brasil e está aberto para visitas e oferece cursos e palestras.
Permacultura: é uma metodologia que ensina a projetar ambientes sustentáveis, utilizando-se de técnicas interdisciplinares para planejar, ensinar e implantar em ecossistemas produtivos de modo que eles tenham a diversidade, a estabilidade e a resistência dos ecossistemas naturais. A palavra vem do termo permanente e agricultura. Os fundadores australianos Bill Mollison e David Holgren definiram os fundamentos a partir de estudos que visavam dar mais perenidade às culturas agrícolas, uma vez que práticas inadequadas e o uso de fertilizantes químicos e biocidas tornaram essa atividade não-sustentável.
Contato: 27 9945-4255 www.ecooca.com.br
Livro: O Homem-ecológico (Fernando Pacheco) R$ 25,00
Local: Condomínio Fazenda dos Lagos, Ribeirão do Cristo, Alfredo Chaves - ES

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